sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Eu, enquanto Mãe: nasci por três vezes, numa vida


O início...
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Eu, enquanto Mãe: nasci por três vezes, numa vida




Nasci no dia em que meu primeiro filho veio ao mundo.
Quem pariu quem, não consigo explicar,
tão unos em mistério!
Algo extraordinário aconteceu,
pois se antes simplesmente vivia,
naquele momento transcendi
o respirar vadio que não cria
e desvendei o esplendor da coexistência!
Ao depois, a desafiar o lógico e o ilógico
e a sublimar todas as quimeras
- criadora e criatura -
nasci por mais duas vezes!
A cada nascimento, emoção única e inigualável!
A partir de então, nunca mais morri...

Cada nascimento dos meus filhos foi, para mim, um "nascer" e não um "renascer".
Não sei muito como explicar sobre essa coisa enigmática, que é meu SER-MÃE...
Para renascer, algo precisava encontrar-se morto em mim.
Mas, não foi assim. Nasci, mesmo, a cada nova chegada!
E, de forma natural e mística, aquela nova vida, unia-se à pré-existente...

Chego a elucubrar que esta insólita sensação ocorra com outras mães.
Talvez, seja proteção antecipada... uma estratégia de sobrevivência,
para conviver sob o enlevo de tanto amor,
ao qual, nem de longe, suporta-se a possibilidade de um dia perder!

Quiçá, seja por tal razão - conseguir ser tantas vidas numa só -
que algumas mães consigam sobreviver à ausência dos filhos,
que partem, seja pelas sendas naturais do mundo,
que os leva em busca dos seus próprios caminhos,
seja sob a razão fatal de perdê-los à euforia da morte...

Não sei... não sei... mas, sinto pavor, incontido,
só por pensar na última alternativa...
Na realidade, a única tragédia para a qual
não consigo imaginar minha sobrevivência, sob juízo perfeito...




O depois...


Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Cabo Frio, 11 de novembro de 2009 - 10h42
Primeira estrofe reformulada em 8 de maio de 2010 - 17h10

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